segunda-feira, 15 de junho de 2009

Seu guri

Me abracei na saudades e lembrei da meninice,
Correndo atrás de bola e caindo no chão,
Levando bronca mas sempre com um sorriso na mão.
Te abraçava e me espelhava.
Ouvia as mesmas canções que você, meu pai,
e que até hoje, confesso a falta que faz.
Criança de tão pouca idade,
sentimento inocente do guri, o seu guri.
Acordei hoje e lembrei que homem agora sou,
Cabelo na face, maior de idade, cursando faculdade
mas ainda sim, sou guri.
Levo bronca, levo sermão, mas nem sempre
com um sorriso na mão.
A saudade é amarga, azeda e apertada.
O tempo afasta a sujeira e o temporal,
traz sol e esperança.
Agora pego a estrada do sol, e caminho em sua direção,
e lá está você, novamente no meu espelho e com um sorriso na mao.

domingo, 14 de junho de 2009

Somos todos

Todos somos sombra da maldade egoísta dos pensamentos.
Todos somos alma e coração da bondade que nos cerca.
Todos somos caminhos e atalhos para a realidade.
Todos somos ilusões e esperança dos sonhos.
Todos somos lagrimas pelo que tem vivido.
Todos somos sorrisos de atrevimento e ousadia.
Todos somos famintos e gulosos.
Todos somos insatisfeitos e satisfatórios.
Todos somos razão e incerteza.
Todos somos o preço do destino e do acaso.
Todos somos um, e um somos todos.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Underground

Voltando para casa debaixo de chuva,
em mente "Tempo Perdido"
cantarolando, dançando, sintonizando.
Recordações infinitas,
passado presente!
Um milhão de nomes para contar a mesma história,
mas com ele,
jamais sozinho.
Palavras e pensamentos que mesmo em distância
sempre se encontram.
Afinidade e afinação.
Um cigarro e uma cerveja.
Minha desafinada voz, e o seu violão.
Você só precisa ouvir o que já foi dito,
De maneira exagerada, meu caro, te amo,
jogado aos pés, de bar em bar e de porre em porre.






Ao eterno amigo e companheiro, Cirrose!

domingo, 10 de maio de 2009

Donana

Os cães agora latem,
O vento leva embora lembranças amargas,
O chão é macio como uma pena
E o seu sorriso bilha o meu rosto.

Não é o medo do dia seguinte que me aflinge.
Seria a ausência da sua alma a minha,
Do seu riso, da sua alegria

Seu olhar,
Suas mãos tremulas,
Seu sorriso amarelo,
Você!

Tire-me o pão, tire-me.
Mas imploro mais uma vez,
não me tires seu sorriso.




Dona Ana: Feliz dia das mães!

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Bentos

Ecoando na mente as horas que nos separaram
e a distância que um dia, nos ameaçou.
Agora, nunca mais.

A saudades de um tempo que não volta,
as brincadeiras no tapete, os aniversários perdidos.
Agora, nunca mais.

As canções cantadas em alto e bom som
e as risadas alegres e sinceras, que um dia foi imaginação.
Agora, não mais.

Ligações, convites, saídas para reviver um passado,
reviver uma história, uma família, que um dia só foi vontade.
Agora, não mais.

A realidade, o presente da vida,
a família, a união e a verdade.
Agora, pra sempre.




Dedicado a Marina Bento

quarta-feira, 25 de março de 2009

Nascidos em bordéis

Comendo a miséria
Compartilhando a pobreza
Brincando com o lixo
Dividindo o destino.
Esperando...

Voando com a pipa
Fazendo arte
Tirando fotos
Reproduzindo mundos.
Esperando...

Cenas absurdas
Cenário grosseiro
Roteiro pré-determinado
Final incerto.
Esperando...

Na espera...
Na espera por um milagre.



(Inspirado no filme Nascidos em Bordéis, fica a dica!)

terça-feira, 24 de março de 2009

É Gente Humilde...

Três pequenas almas, de três dentes banguelos
em três sorrisos, nas três bocas, em três pratos
de três garfadas.

Dois moleques e uma menininha, dois atrapalhões
e uma rainha, dois pilantras e uma malandrona
dois e uma, são tres.

Um aqui, três lá.
Uma saudade aqui, três esperanças lá.
Um aperto aqui, dos três sorrisos de lá.

São gente humilde,
e que vontade de chorar...

domingo, 8 de março de 2009

Um grito desesperador cala um silêncio mortal,
Uma voz baixa toma minha atenção.
Um rosto delicado de cabelo semi-encaracolado,
Olhos brilhantes e lábios de mel aparece na luz da escuridão.
Ritmo fulminante, badaladas ensurdecedoras,
Melodia amorosa. Peito explode!
Em memória, surge a presença.
Surge a presença ausente, e presente seria
Sua presença. Um presente. O meu presente.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Monólogo Mundo Moderno

Mundo moderno, marco malévolo, mesclando mentiras, modificando maneiras, mascarando maracutáias, majestoso manicômio! Meu monólogo mostra mentiras, mazelas, misérias, massacres, miscigenação, morticínio: maior maldade mundial. Madrugada, matuto magro, macrocéfalo, mastiga média morna, monta matumbo malhado munindo machado, martelo, mochila murcha, margeia mata maior, manhãzinha move moinho moendo macaxeira, mandioca, meio-dia mata marreco, manjar melhorzinho, meia-noite mima mulherzinha mimosa, Maria, morena, momento maravilha, motivação mutua, mas monocórdia mesmice. Muitos migram, mascilentos, maltrapilhos, morarão modestamente, malocas metropolitanas, mocambos miseráveis, menos moral, menos mantimentos, mais menosprezo. Metade morre! Mundo maligno, misturando mendigos maltratados, menores metralhados, militares mandões, meretrizes, marafonas, mocinhas, meras meninas, mariposas mortificando-se moralmente, modestas moças maculadas, mercenárias mulheres marcadas. Mundo medíocre! Milionários montam mansões magníficas: melhor mármore, mobília mirabolante, máxima megalomania, mordomo, Mercedes, motorista, mãos magnatas manobrando milhões, mas maioria... morre minguando!! Moradia meiagua, menos, marquise! Mundo maluco! Máquina mortífera! Mundo moderno, melhore, melhore mais, melhore muito, melhore mesmo! Merecemos! Maldito mundo moderno. Mundinho merda!

Chico Anysio

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Ouvir a voz tão sutil,
com sotaque regional
é como ver a chegada da primavera,
clareando com nova vida o campo, o coração, a alma.

Lembrar dos beijos,
lembram os fortes ventos do mar
que atravessam oceanos,
em busca de conhecer o desconhecido.

Sentir saudades,
é sentir o coração apertado, amargurado
em busca do desejo de se libertar, de amar.

Saber da sua existência,
é ter fé em algum Deus qualquer,
que pregue a grandiosidade do amor.

Na calada da noite, nada é visivel a olho nu,
mas perceptível a corações badalados.
Sutis existências, beijos sutis,
saudosos beijos, existência saudosa.

No fim da noite, na madrugada fria,
visível a olhos semi nu
a tristeza abala.