sexta-feira, 24 de abril de 2009

Bentos

Ecoando na mente as horas que nos separaram
e a distância que um dia, nos ameaçou.
Agora, nunca mais.

A saudades de um tempo que não volta,
as brincadeiras no tapete, os aniversários perdidos.
Agora, nunca mais.

As canções cantadas em alto e bom som
e as risadas alegres e sinceras, que um dia foi imaginação.
Agora, não mais.

Ligações, convites, saídas para reviver um passado,
reviver uma história, uma família, que um dia só foi vontade.
Agora, não mais.

A realidade, o presente da vida,
a família, a união e a verdade.
Agora, pra sempre.




Dedicado a Marina Bento

quarta-feira, 25 de março de 2009

Nascidos em bordéis

Comendo a miséria
Compartilhando a pobreza
Brincando com o lixo
Dividindo o destino.
Esperando...

Voando com a pipa
Fazendo arte
Tirando fotos
Reproduzindo mundos.
Esperando...

Cenas absurdas
Cenário grosseiro
Roteiro pré-determinado
Final incerto.
Esperando...

Na espera...
Na espera por um milagre.



(Inspirado no filme Nascidos em Bordéis, fica a dica!)

terça-feira, 24 de março de 2009

É Gente Humilde...

Três pequenas almas, de três dentes banguelos
em três sorrisos, nas três bocas, em três pratos
de três garfadas.

Dois moleques e uma menininha, dois atrapalhões
e uma rainha, dois pilantras e uma malandrona
dois e uma, são tres.

Um aqui, três lá.
Uma saudade aqui, três esperanças lá.
Um aperto aqui, dos três sorrisos de lá.

São gente humilde,
e que vontade de chorar...

domingo, 8 de março de 2009

Um grito desesperador cala um silêncio mortal,
Uma voz baixa toma minha atenção.
Um rosto delicado de cabelo semi-encaracolado,
Olhos brilhantes e lábios de mel aparece na luz da escuridão.
Ritmo fulminante, badaladas ensurdecedoras,
Melodia amorosa. Peito explode!
Em memória, surge a presença.
Surge a presença ausente, e presente seria
Sua presença. Um presente. O meu presente.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Monólogo Mundo Moderno

Mundo moderno, marco malévolo, mesclando mentiras, modificando maneiras, mascarando maracutáias, majestoso manicômio! Meu monólogo mostra mentiras, mazelas, misérias, massacres, miscigenação, morticínio: maior maldade mundial. Madrugada, matuto magro, macrocéfalo, mastiga média morna, monta matumbo malhado munindo machado, martelo, mochila murcha, margeia mata maior, manhãzinha move moinho moendo macaxeira, mandioca, meio-dia mata marreco, manjar melhorzinho, meia-noite mima mulherzinha mimosa, Maria, morena, momento maravilha, motivação mutua, mas monocórdia mesmice. Muitos migram, mascilentos, maltrapilhos, morarão modestamente, malocas metropolitanas, mocambos miseráveis, menos moral, menos mantimentos, mais menosprezo. Metade morre! Mundo maligno, misturando mendigos maltratados, menores metralhados, militares mandões, meretrizes, marafonas, mocinhas, meras meninas, mariposas mortificando-se moralmente, modestas moças maculadas, mercenárias mulheres marcadas. Mundo medíocre! Milionários montam mansões magníficas: melhor mármore, mobília mirabolante, máxima megalomania, mordomo, Mercedes, motorista, mãos magnatas manobrando milhões, mas maioria... morre minguando!! Moradia meiagua, menos, marquise! Mundo maluco! Máquina mortífera! Mundo moderno, melhore, melhore mais, melhore muito, melhore mesmo! Merecemos! Maldito mundo moderno. Mundinho merda!

Chico Anysio

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Ouvir a voz tão sutil,
com sotaque regional
é como ver a chegada da primavera,
clareando com nova vida o campo, o coração, a alma.

Lembrar dos beijos,
lembram os fortes ventos do mar
que atravessam oceanos,
em busca de conhecer o desconhecido.

Sentir saudades,
é sentir o coração apertado, amargurado
em busca do desejo de se libertar, de amar.

Saber da sua existência,
é ter fé em algum Deus qualquer,
que pregue a grandiosidade do amor.

Na calada da noite, nada é visivel a olho nu,
mas perceptível a corações badalados.
Sutis existências, beijos sutis,
saudosos beijos, existência saudosa.

No fim da noite, na madrugada fria,
visível a olhos semi nu
a tristeza abala.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

A VIDA ME CARREGA NO AR COMO UM GIGANTESCO ABUTRE

A verdade dos deuses

carnais como nós & lânguidos

não provém do nada

mas do desejo trovejante do coração

partido pelo amor

em sua disparada pelo rosto de um

adolescente

com sua fúria delicada

cruzo avenidas insones & corroídas

de chuva

minha mão alcança minha dor

presente

& me preparo para um dia duro

amargo & pegajoso

a tarde desaba seu azul sobre

os telhados do mundo

você não veio ao nosso encontro & eu

morro um pouco & me encontro só

numa cidade de muros

você talvez não saiba do ritual

do amor como uma fonte

a água que corre não correrá

jamais a mesma até o poente

minha dor é um anjo ferido

de morte

você é um pequeno deus verde

& rigoroso

horários de morte cidades cemitérios

a morte é a ordem do dia

a noite vem raptar o que

sobra de um soluço

(Roberto Piva)

5 + 1

6 cordas
vibram,
ecoam em
6 laços,
amarrados,
entrelaçados em
6 choros
molhados,
presentes em
6 pessoas.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Lenine - Continuação

O Contra, o encontro, a contração
A era, o eros, a erosão
A fera, a fúria, o furacão
O como, o cosmo, a comunhão
A comunhão
O pré, a prece, a procissão
O pós, o póstumo, a pocisão
A cor, a corte, a curtição
Amor, a morte, a continuação
A continuação

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Apenas um sonho

Há certos desafios que temos convicção da possibilidade do fracasso, mas há sonhos que esquecemos um pouco da realidade e criamos imagens em nossas cabeças, fazemos planos, almejamos um futuro. Mas, quando a realidade derruba o sonho, logo se abre um buraco imenso onde todos os seus sonhos caiem na velocidade da luz e resta apenas as lembranças deste sonho.
É claro que temos que olhar pra trás e ver porque o sonho não foi realizado, reconhecer os erros, aprender com o fracasso, limpar com a lágrima derramada todo o esboço de caminho não concretizado seja lá o porque. Mas ainda assim, há dor, há desespero, há lagrimas.
Resta agora pôr a mochila nas costas e andar pelo novo horizonte, a nova estrada.
Já dizia a minha, e a avó dos outros: "Há males que vêem para o bem".